O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos, após as eleições legislativas de meio de mandato (midterms), realizadas na terça-feira (3). O resultado representa uma derrota histórica para o presidente republicano Donald Trump, que perdeu o controle do Legislativo.
No Senado, os democratas elegeram 20 parlamentares, sete deles em disputas nas quais conseguiram derrotar candidatos republicanos. Com isso, chegaram a 54 das 100 cadeiras, superando o mínimo de 51 necessário para garantir a maioria.
Até a última atualização da apuração, o resultado era o seguinte:
- Democratas: 54 cadeiras;
- Republicanos: 42 cadeiras;
- Aguardando resultado: 4 cadeiras.
Na Câmara dos Deputados, os democratas também conquistaram a maioria, alcançando 224 assentos, contra 135 dos republicanos. Outros 76 resultados ainda estavam pendentes. A legenda conseguiu virar 25 cadeiras anteriormente ocupadas por republicanos, em distritos de mais de dez estados.
A Câmara possui 435 integrantes, com renovação total a cada dois anos. Para conquistar a maioria, um partido precisa de pelo menos 218 cadeiras.
Democratas avançam em estados tradicionalmente republicanos
Entre os resultados mais expressivos estão as vitórias democratas no Texas e na Carolina do Sul, estados historicamente conservadores.
No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton. Já na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu Darline Graham, em uma disputa considerada inesperada.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown também derrotou o republicano Jon Husted. As vitórias representaram reveses para Trump, que havia declarado apoio aos candidatos republicanos derrotados.
Os democratas também conquistaram uma cadeira na Carolina do Norte e mantiveram posições importantes em New Hampshire e na Geórgia.
Na Geórgia, o senador Jon Ossoff foi reeleito após derrotar o deputado Mike Collins. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu.
Outros democratas reeleitos foram Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado. Juliana Stratton também conquistou a vaga de Dick Durbin, que está deixando o Senado.
Trump diz que aceitará derrota e promete negociar
Após a confirmação da maioria democrata nas duas Casas, Trump afirmou, em entrevista ao jornal americano The New York Times, que está disposto a aceitar o resultado e trabalhar com o partido adversário.
"Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados", declarou o presidente.
Trump também disse esperar chegar a entendimentos com os democratas durante sua gestão.
Dias antes da votação, o republicano havia levantado dúvidas sobre o reconhecimento de uma eventual derrota, afirmando que só aceitaria os resultados caso as eleições fossem "limpas".
Presidente promete usar poder de veto
Mesmo diante da nova composição do Congresso, Trump sinalizou que pretende utilizar o poder de veto presidencial para barrar propostas aprovadas pelos democratas.
Após os primeiros resultados negativos para seu partido, o presidente publicou uma imagem de um boné vermelho com a palavra "veto".
Em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, Trump afirmou que poderia se tornar o "Sr. Veto", indicando que pretende rejeitar projetos apresentados pelo partido adversário e negociar posteriormente com os parlamentares.
A nova composição do Congresso deve alterar o equilíbrio político em Washington, dificultando a aprovação das propostas do governo republicano e ampliando o poder de atuação da oposição.
Como funcionam as midterms
Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando realizadas na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato.
Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores cumprem mandatos de seis anos.
Por isso, a cada dois anos, os Estados Unidos renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço das vagas do Senado.
Em 2026, além das 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 vagas do Senado estão em disputa.
Fonte: G1
