Um novo episódio de El Niño pode pressionar a inflação brasileira e elevar os preços dos alimentos nos próximos meses. Segundo um estudo do Rabobank, grupo financeiro especializado no agronegócio, os efeitos dos choques climáticos sobre os preços tendem a aparecer de forma gradual e podem atingir o pico em até seis meses.
De acordo com as estimativas, um El Niño forte poderia acrescentar cerca de 0,83 ponto percentual ao IPCA. Desse impacto, aproximadamente 0,53 ponto percentual viria dos alimentos in natura.
Carnes e hortaliças podem ser mais afetadas
Entre os produtos que podem sofrer maior impacto estão carnes e hortaliças. Em um cenário de El Niño forte, os preços dessa categoria poderiam subir 19,9%, enquanto a alimentação no domicílio teria alta estimada em 6,32%.
Em um cenário de intensidade moderada, as projeções apontam para aumentos de 13,4% nos preços da categoria e de 2% na alimentação no domicílio.
As hortaliças tendem a sentir os efeitos do fenômeno climático mais rapidamente, devido aos ciclos de produção mais curtos e à maior sensibilidade às condições de temperatura e chuva.
Outros produtos também podem ser afetados, dependendo da intensidade do El Niño. Entre eles estão milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz. A produção de leite também pode sofrer influência das condições de chuva na Região Sul.
Fenômeno altera chuvas e temperaturas
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos podem variar de acordo com a região. Algumas áreas produtoras podem enfrentar períodos de seca, enquanto outras podem registrar chuvas acima da média.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe cerca de 80% de probabilidade de ocorrência de um El Niño forte até o fim do ano.
Impactos podem variar entre as regiões
Os efeitos sobre a agricultura e a pecuária não devem ser uniformes em todo o país.
A redução das chuvas pode prejudicar a pecuária no Centro-Oeste e no Norte, enquanto algumas culturas do Nordeste, como o feijão, podem ser beneficiadas pelas condições climáticas.


