Fontes próximas ao senador Flávio Bolsonaro afirmam que a carta divulgada por ele nas redes sociais foi mal redigida, além de ser em um timing considerado inoportuno. A avaliação é que a imagem do parlamentar está derretendo após a ida para os Estados Unidos.
A situação piorou após a divulgação da carta, feita sem qualquer tipo de consulta a pessoas que estiveram com ele na campanha.
Nas palavras de uma fonte à reportagem da Band, Flávio está perdendo a oportunidade de liderar a oposição no Brasil: ‘’Poderia estar ainda maior como representante da oposição, e em 48 horas conseguiu se diminuir’’.
No cenário sem Flávio no Brasil, aliados veem o crescimento do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que chegou a ser cotado para assumir a candidatura à presidência mas foi preterido por Jair Bolsonaro. Nesta quarta-feira, Tarcísio chegou a verbalizar a possibilidade de disputar a Presidência nas próximas eleições de 2030.
Pelos corredores da oposição, a postura de Tarcísio incomodou, e, segundo aliados é um incômodo antigo, especialmente por parte da família Bolsonaro. Neste momento, a avaliação é que não há espaço para que um substitua o outro.
Para que Tarcísio seja lançado no lugar de Flávio na liderança da oposição ao governo Lula: ‘’Não há esse entendimento. E quem tem opinião e visão que merece ser compartilhada, não ousa falar de 2030, só considera que a Direita tem que se manter unida e em bloco’’, afirmou uma fonte.
De 'presidente a eleito' a 'líder'
A declaração oficial divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (28), após sua chegada a Miami, nos Estados Unidos, passou por três versões consecutivas apenas alguns minutos. As alterações corrigiram uma falha no Brasão da República estampado no cabeçalho e para ajustar o tom político sobre a forma como o parlamentar se apresentava ao público.
A primeira versão do documento foi colocada em circulação trazendo no topo a imagem de um Brasão de Armas desatualizado, com a inscrição "Estados Unidos do Brazil", grafada com a letra "Z". A grafia e a nomenclatura correspondem ao símbolo oficial da República utilizado antes de 1968, ano em que o país adotou a denominação "República Federativa do Brasil".
Além da falha visual, o texto original abria com o senador autoproclamando-se o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e alegando ter sido vítima de fraude no segundo turno das eleições, mesmo sem apresentar qualquer prova de irregularidades no pleito.
Correção do símbolo e recuo no título
Diante da repercussão do erro gráfico, uma segunda versão da carta foi emitida. Nessa atualização, a imagem do símbolo nacional foi corrigida para o Brasão da República Federativa do Brasil atual, mantendo-se, contudo, a autoproclamação do parlamentar como "presidente eleito" no corpo do texto.
Pouco tempo depois, uma terceira versão do documento foi distribuída. Além de manter a arte do brasão devidamente corrigida, a nova edição promoveu um recuo político na apresentação do senador: o trecho em que Flávio se declarava "presidente eleito" foi alterado para se denominar como "líder" da oposição e do país a partir do exterior.
A divulgação da carta ocorreu no contexto da saída do senador do território brasileiro. Após cruzar a fronteira terrestre com a Argentina e fazer uma escala técnica no Equador, Flávio Bolsonaro desembarcou na Flórida na manhã de quarta-feira, justificando a viagem como uma medida para liderar a oposição fora do país diante de medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Band Jornalismo
