O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação busca esclarecer se o dinheiro enviado ao exterior para financiar o longa teve, na prática, outra destinação. A suspeita é que parte da produção tenha sido bancada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o envio de R$ 61 milhões.
A decisão atende a um pedido da PF, com parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ao analisar a solicitação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou haver elementos suficientes para a instauração de uma investigação formal sobre os repasses.
O caso ganhou repercussão após o site The Intercept Brasil divulgar mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, solicita recursos a Vorcaro, sob o argumento de financiar a produção do filme. Revelada em maio, a cobrança feita por Flávio a Vorcaro ocorreu em 8 de setembro de 2025, no momento em que os envolvidos na produção tinham dificuldades para honrar compromissos da montagem.
Uma das principais suspeitas da PF é que parte desses valores foi usada para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Os investigadores também querem verificar se os recursos financiaram outras iniciativas de aliados de Bolsonaro junto ao governo do presidente americano Donald Trump.
O ex-deputado mudou-se para o país alegando perseguição do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e nega qualquer irregularidade. Em manifestações públicas, também afirmou que teve contas bancárias bloqueadas, inclusive as de sua esposa.
A investigação indica que os recursos teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro, para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
