O Irã afirmou neste domingo ter atingido o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln no Golfo Pérsico, em mais um capítulo da escalada militar iniciada após os ataques de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos que resultaram na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
Em comunicado divulgado pela mídia estatal, a Guarda Revolucionária afirmou que o navio foi atingido por quatro mísseis balísticos. A força militar também advertiu que “a terra e o mar se tornarão cada vez mais o cemitério dos agressores”, prometendo ampliar a resposta contra interesses americanos na região.
Um dos maiores navios de guerra dos EUA
Na ativa desde 1990, o porta-aviões USS Abraham Lincoln deixou a base de Norfolk naquele ano e navegou pela América do Sul antes de chegar a Alameda, na Califórnia. Pouco depois, em 1991, foi mobilizado durante a crise provocada pela anexação do Kuwait pelo Iraque. A missão acabou redirecionada para uma grande operação humanitária após a erupção do Monte Pinatubo, na ilha de Luzon, nas Filipinas.
A chamada Operação Fiery Vigil se tornou a maior evacuação em tempos de paz já realizada de militares e familiares. Liderando uma frota de 23 embarcações, o navio ajudou a retirar quase 45 mil pessoas da região afetada.
Gráfico com as informações do porta-aviões americano USS Abraham Lincoln — Foto: Arte GLOBO
Nos anos seguintes, o porta-aviões voltou ao Golfo Pérsico e também participou de missões humanitárias da ONU na Somália. Em 1997, retornou à base de Everett, no estado de Washington, onde permaneceu até ser transferido novamente para Norfolk, na Virgínia, em 2012. Desde então, também realizou missões de treinamento e exercícios no Pacífico Ocidental.
O USS Abraham Lincoln é o quinto porta-aviões nuclear da classe Nimitz — grupo que reúne alguns dos maiores navios de guerra do mundo — e recebeu o nome do ex-presidente americano Abraham Lincoln. A embarcação tem cerca de 330 metros de comprimento e desloca aproximadamente 104 mil toneladas. Pode operar com uma tripulação próxima de 5 mil militares e transportar até 90 aviões e helicópteros.
A declaração ocorre no segundo dia do confronto aberto entre Irã, Estados Unidos e Israel. A ofensiva começou no sábado, quando forças americanas e israelenses bombardearam instalações militares e estratégicas em território iraniano. Washington afirmou que a operação buscava neutralizar ameaças ligadas ao programa de mísseis e às ambições nucleares de Teerã. Israel classificou a ação como necessária para conter uma “ameaça existencial”.
Nos ataques iniciais, morreu Khamenei, figura central do regime iraniano há décadas. A confirmação da morte levou autoridades iranianas a prometer uma resposta militar em larga escala. Em pronunciamentos divulgados pela televisão estatal, integrantes do governo e da Guarda Revolucionária disseram que a retaliação continuará e acusaram Estados Unidos e Israel de violarem o direito internacional.
O presidente americano Donald Trump reagiu afirmando que qualquer nova ofensiva iraniana receberá uma resposta ainda mais dura. Em mensagem publicada nas redes sociais, ele advertiu Teerã a não ampliar os ataques e disse que os Estados Unidos estão preparados para agir com “uma força nunca vista antes”.
Escalada regional
Desde o início da retaliação iraniana, mísseis e drones foram lançados contra diferentes pontos do Oriente Médio. Em Israel, um ataque no domingo atingiu um prédio residencial no centro do país, causando mortes e feridos. Sirenes de alerta voltaram a soar em cidades como Jerusalém e Tel Aviv.
No Golfo, bases militares usadas pelos Estados Unidos foram alvo de disparos. Entre elas estão instalações no Catar, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein. Autoridades americanas afirmaram que grande parte dos projéteis foi interceptada pelas defesas aéreas.
Outros episódios também foram registrados na região. Nos Emirados Árabes Unidos, interceptações de drones e mísseis provocaram incêndios e danos em áreas de Dubai e Abu Dhabi, além de incidentes em aeroportos. Em Omã, drones atingiram o porto de Duqm e um petroleiro foi atacado próximo ao Estreito de Ormuz. Explosões também foram relatadas na Arábia Saudita, enquanto um ataque com drone teve como alvo uma base militar no norte do Iraque.
Autoridades ocidentais alertam que a sucessão de ataques indica uma rápida ampliação do conflito, com impactos em rotas estratégicas, infraestrutura energética e bases militares espalhadas pelo Golfo Pérsico.
O Globo
