Brasília - O advogado-geral da União, José Eduardo
Cardozo, e lideranças governistas do Congresso
criticaram as declarações do ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso sobre a presidente Dilma Rousseff e o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao
Estado publicada na edição de ontem, FHC defendeu o
impeachment da presidente como o caminho da
superação da crise por que passa o País, postura
comemorada por parlamentares da oposição.
Embora tenha ressaltado ter um “grande respeito” pelo
ex-presidente, Cardozo disse lamentar a sua posição.
“Ele tem um passado de defesa da democracia. E
desconhece (que) impeachment sem fato imputável à
presidente não pode acontecer no regime
presidencialista. Portanto, só tenho a lamentar essa
posição do ex-presidente”, disse o ministro, um dos
auxiliares mais próximos de Dilma.
Para o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-
CE), Fernando Henrique Cardoso assume o “golpismo”
ao defender o impeachment de Dilma. “Ele enterra seu
passado de sociólogo, que lutou pela democracia
durante o regime militar. Passa a liderar o golpismo no
País”, disse. “Quer governar o Brasil de novo? Espera
até 2018.”
Na entrevista, FHC defendeu o afastamento de Dilma,
argumentando ter mudado de opinião depois de ouvir a
voz das “ruas”. Antes, defendia a renúncia como melhor
saída para as crises política e econômica. O ex-
presidente também chamou os grampos que envolveram
Lula como “coisa de chefe de bando” e classificou a
nomeação dele para a Casa Civil como “golpe palaciano”
Guimarães afirmou ainda que FHC “não tem autoridade”
para criticar Lula. “O governo do presidente Lula deu de
10 a 0 no governo dele”, afirmou. “Com todo esse
massacre midiático, Lula é o melhor ex-presidente da
história do País.” Para Guimarães, as críticas de FHC são
atitude de “soberba e preconceito” de um sociólogo que
não se conformaria com o fato de o governo de um
“analfabeto” ter sido melhor do que o dele.
O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), disse
que as declarações do ex-presidente tucano são
“inoportunas e equivocadas”. O petista destacou que, se
FHC quisesse mesmo ter uma postura de estadista, não
estaria colocando “gasolina na fogueira” da crise ao se
alinhar com os “insensatos” que não têm qualquer
compromisso com o País. “Infelizmente, FHC está menor
do que o paletó que usa”, disse.
Florence afirmou ainda não haver motivos jurídicos para
afastar Dilma por crime de responsabilidade. O líder do
PT destacou que o ex-presidente conclama, dessa
forma, o desrespeito ao voto popular porque a atual
presidente foi reeleita com 54 milhões de voto. “O PSDB
tem que rever seus compromissos com a democracia.”
Alinhamento. Já o líder dos tucanos na Câmara,
deputado Antonio Imbassahy (BA), disse que as
declarações de FHC coincidem “completamente” com a
bancada de deputados do partido. Ele disse que o
quadro político e econômico e as investigações da
Operação Lava Jato deterioraram de tal maneira que não
é possível mais esperar uma decisão do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) sobre uma eventual cassação da
chapa de Dilma e seu vice, Michel Temer, o que poderia
levar o País a novas eleições neste ano. “O cronograma
do impeachment é mais rápido que o do TSE.”
Aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-
RJ), responsável por admitir o pedido de impeachment,
o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) elogiou a
postura “estadista” do tucano.
“Lula deveria se espelhar em FHC, que é um grande
estadista”, provocou o peemedebista. Vieira Lima
concorda que a solução para a crise é a saída da
presidente Dilma Rousseff, mas ainda acredita que o
melhor caminho é a renúncia. “Ela faria um favor porque
se renderia aos fatos e ajudaria a unir o Brasil”,
declarou.
Por:JSBLOGUEIRO.